(Re)Descoberta uma pintura de Gustave Courbet em museu da Normandia

Três obras que estavam em armazém no Musée du Vieux Granville, na Normandia, eram consideradas falsas ou erroneamente atribuídas a Courbet. Uma delas considerada desde logo falsa, e tendo as três provindo do mesmo coleccionador, em 1995, deu razões para crer que as restantes não eram da autoria do pintor realista, mas do seu assistente.

Quando Alexandra Jalaber, conservadora do museu desde 2015, preparava documentação a respeito do museu quando encontrou as pinturas. Depois de contactar Bruno Mottin, conservador do centro de pesquisa e de restauro da França e perito na arte de Courbet, este confirmou que uma das pinturas se tratava efectivamente um dos últimos trabalhos do realista.

A obra foi legada por um coleccionador da vila e só foi observada com atenção no início do século XX. Depois da segunda guerra mundial, contudo, o museu focou-se na sua colecção etnográfica e história da vila, até que em 1995 surge a “confirmação” de que as pinturas são falsas ou mal atribuidas. Agora, a história muda. Bruno Mottin, que recentemente confirmou que a icónica obra de Courbet A Origem do Mundo não faz parte de uma tela maior em que a cara foi cortada – teoria que ressurgiu recentemente – confirmou: pertence ao último período do artista, exilado na Suíça, representando as montanhas da sua infância e o recorte do lago Léman, significativos nesta fase da sua pintura. A maneira de datar o quadro, «76», é a sua maneira. Para o especialista, não restam dúvidas.

Dos restantes dois, um é provavelmente de Cherubino Patta, o colaborador mais próximo de Courbet. «Não foi necessariamente fácil de ver, especialmente porque foram legados ao museu pelo irmão do coleccionador em 1892, alguns anos depois da morte do pintor», afirma Mottin. Muitas obras têm sido atribuídas a “Courbet e Patta”, mas a razão para esta nunca ter aparecido em nenhum catálogo raisonée talvez se deva ao facto de não se saber a quem o coleccionador que a legou a comprou. O museu está agora a tentar traçar a sua proveniência e a peça será exposta num museu de arte moderna vizinho, ainda este ano.

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Vue du Lac Léman, 1876. Gustave Courbet.

Fotos: Le Parisien.

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