Vermeer no Louvre: caos e desordem

Uma exposição promissora inaugurou no Museu do Louvre no mês passado: conta com doze de pelo menos três dezenas de obras do pintor nórdico, lado a lado de contemporâneos seus. A exposição pretendia desconstruir o mito do pintor como o génio isolado. Tendo vivido em Delft, onde morreu, isolado e rodeado da sua pintura, a visão deste com um génio criador isolado dominou até agora. O Museu do Louvre, contudo, com esta exposição, pretendeu trazer para a frente a mais plausível hipótese: que Vermeer, afinal, tinha conhecimento do que os seus contemporâneos faziam. Cenas repetem-se de quadro para quadro, demonstrando que as pequenas representações de costumes, afinal, eram temas repetidos de pintor para pintor. Contudo, neste contexto, é possível destacar Vermeer não pela genialidade individual, mas pela qualidade técnica dos detalhes das suas pinturas.

Uma exposição destas espera uma enorme afluência. Vermeer and the Masters of Genre Painting é a primeira exposição “blockbuster” do museu. Este, contudo, não parecia estar preparado para a afluência: cerca de 9,500 visitantes no primeiro dia, e um total de cerca de 40,000 na primeira semana. Em pouco tempo, o site de reservas do museu foi a baixo e um novo teve de ser lançado. As filas cresceram de tal forma que os visitantes passaram a ter de visitar a exposição a partir de uma determinada hora depois de comprado o bilhete – não havendo excepções para os habituais: jornalistas ou a associação dos amigos do museu, acrescentando assim as suas vozes ao já longo rol de queixas que o museu tem vindo a receber.

Parte do caos instalado deve-se à nova política da bilheteira: até agora, as exposições temporárias, ou especiais, permitiam que se comprasse um só bilhete à parte, mas agora o Louvre tem um só bilhete, que vai de 15€ a 17€, que cobre a entrada para a colecção permanente e as exposições temporárias. O planeamento não terá decorrido na melhor altura, contudo, e a política parece ter falhado num momento em que o museu não conseguiu lidar com o afluente de pessoas.

A equipa de segurança anunciou entretano uma greve que entrou em vigor no passado dia 9 de Março, queixando-se de agressões físicas e verbais constantes devido ao excesso de visitantes e que dessa forma se torna difícil de cumprirem o seu trabalho. Apenas 2% do staff aderiu à greve, e pelo dia de hoje, de manhã, a situação já estava normalizada. De igual forma, o site de reservas do museu já voltou à normalização e o período de espera foi reduzido de mais de uma hora para cerca de 45 minutos.

 

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